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16 – Auto-Observação de si mesmo

1 de março de 2016 - Fase A

Tema nº. 16 –  Auto-Observação de si mesmo.

quaternario

A auto-observação requer atenção voltada para dentro de nós mesmos. Onde estivermos, seja no trabalho, na rua, em casa, em qualquer lugar e ocasião a atenção deve estar voltada para dentro de nós mesmos com a clara intenção de nos auto-descobrirmos.

Como dissemos na lição anterior, teremos que nos dividir em OBSERVADOR e OBSERVADO. É a Essência quem deve observar o ego.

E como saberemos que é a essência quem está observando o ego?

A questão se resolverá com o advento da própria prática em conjunto com o avanço da prática da meditação.

Esclarecemos, não obstante, que para conseguirmos a autêntica auto-observação de nós mesmos, necessitamos desenvolver um sentido que pertence à Essência. Quero me referir ao SENTIDO DA AUTO-OBSERVAÇÃO.

O sentido da auto-observação, ou sexto sentido, se desenvolve à medida que nos esforçamos em captar silenciosamente o exato estado interior em que estamos naquele momento. Na verdade a alma sempre teve este sentido, mas devido ao nosso desinteresse pelas coisas divinas e morais, acabou por se atrofiar.

POR SE TRATAR DE UM SENTIDO ATROFIADO PELO DESUSO, TEMOS QUE NOS ESFORÇAR MUITO PARA CONSEGUI-LO, PRIMEIRAMENTE, DESATROFIAR.

É indispensável calar a mente para que o sentido da auto-observação se faça perceber. O sentido de auto-observação é um sentido da essência, e por ser um sentido ele simplesmente percebe, capta, o ‘gosto psicológico’, por assim dizer, do estado interior em que estamos naquele exato momento. Da mesma maneira que a mente não interfere na audição, por exemplo; também não interferirá no sentido da auto-observação. Sendo a audição um sentido físico e a auto-observação de nós mesmos um sentido anímico; o som adentra ao ouvido físico e faz vibrar o tímpano, assim como o estado interior é captado pela alma, ou essência. Se é inteiramente indiscutível que quanto mais a mente estiver calada, mais atenção dispensaremos ao sentido da audição, por exemplo, e com isso podemos dizer que ouvimos melhor; da mesma maneira, quanto mais a mente se calar, mais captaremos nossos estados interiores mediante o sentido da auto-observação.

Na verdade durante o trabalho de auto-observação, que vem seguida sempre da eliminação dos defeitos psicológicos, não se é necessário rotular, qualificar, nem mesmo se desprestigiar ou orgulhar por ter descoberto esse ou aquele defeito, apenas conhecê-lo tal qual ele é, conscientizando-nos de que ele é indesejável, ou simplesmente de que está fora de lugar, e em seguida, assim, rapidamente, passamos a eliminá-lo.

Já o arrependimento é fundamental e nos dará força suficiente para começarmos um trabalho sério sobre nós mesmos. Temos que esclarecer, ainda, que consciência de que nós não somos nada é bastante diferente de baixa estima. Nada é zero, ausência de valores, sejam positivos ou negativos.

A seguir vamos dar continuidade ao ensino de todo o processo da eliminação, que também é chamado de decapitação do eu psicológico ou, ainda, MORTE EM MARCHA.

Antes vamos deixar bem claro esse ponto fundamental ao êxito desta prática, que podemos dizer assim: como temos dito em lições anteriores, em todas as práticas esotéricas a CONTINUIDADE DE PROPÓSITOS É INDISPENSÁVEL. Entendemos, não obstante, que devido à atuação dos egos, os quais são a própria volubilidade de ideias e vontades, existe dentro de nós a tendência à inconstância de propósitos. Porém quero informar-lhes agora sobre o poder que é a VONTADE. Ela é para uso da essência e deve ser tomada de assalto aos egos, com seus desejos sem fim. Enfim, empunhem a vontade, pois ela é para o uso de cada um de vós conscientemente. Uma das divisas da Gnose é Thelema, VONTADE. A AUTO-OBSERVAÇÃO É A BASE DE TODO O TRABALHO ESOTÉRICO. É O PRIMEIRO PASSO EM DIREÇÃO AO ESOTERISMO. Portanto, esforcem-se em aprendê-la integralmente e deem continuidade de propósitos a ela, pois vale muito a pena.

O ser humano é um homúnculo tricentrado por natureza. Podemos dizer que ele é tricerebrado. Mente, Coração e Sexo. Desta maneira podemos ver pessoas mais intelectuais, outras mais passionais e um terceiro tipo mais instintivas. Porém, esse pormenor de ficar observando aos demais não tem a menor importância para nós. O gnóstico procura compreender (captar com a alma) cada um dos seus próprios eus, os quais ora se manifestam com maior intensidade no centro intelectual, ora no emocional, ora no instintivo-motor-sexual. ISSO QUER DIZER QUE DEVEMOS MANTER NOSSA ATENÇÃO VOLTADA EM TEMPO INTEGRAL A ESTES TRÊS CENTROS DA MÁQUINA HUMANA AO MESMO TEMPO.

Os egos em geral atuam nos três centros ao mesmo tempo. Por exemplo, a luxúria normalmente se manifesta na mente como um ideal; no coração como se fosse amor verdadeiro; no centro sexual manifesta-se como uma morbosidade inconfundível para o auto-observador experiente. Por isso devemos manter a nossa atenção nos três centros ao mesmo tempo e nos esforçarmos para mantê-la em tempo integral.

Outro exemplo interessante é a maneira como muitas vezes o centro intelectual tende a atuar. Há alguns agregados psíquicos que se manifestam com grande intensidade nos centros emocional e desejos, mas ainda não tem pensamento próprio consciente (digo que ele não tem pensamento consciente, pois qualquer desvio da consciência traz muitas e muitas conseqüências a nossa maneira geral de pensar, além de, não obstante, serem eles mesmos, muitas vezes, conseqüências dos valores mentais que damos às coisas, ou seja, os valores mentais nestes casos estão muito fundo no sub ou inconsciente da pessoa). Quero dizer que ao analisarmos esse tipo de defeito em bruto, ou seja, sem levarmos em conta suas infinitas ramificações, ao intelectual, o ego tende a justificá-lo, bolando uma teoria qualquer, comprada ou inventada na hora. A MENTE GERALMENTE LAVA AS MÃOS COMO FEZ PILATOS, JUSTIFICA-SE… Dei apenas alguns exemplos, pois o mundo da auto-observação é um mundo muito extenso e individual que cada qual deve explorar.

O que se aprende com a auto-observação é intransferível, pois não há meios de fazê-lo e é extremamente desnecessário racionalizar tudo; mesmo o que disse linhas acima deve ser observado dentro de cada um de vós. A captação do mecanismo do eu nestes casos é automática através da auto-observação, sendo desnecessário o raciocínio. A isso chamamos COMPREENDER. Deste modo, o conhecimento de si mesmos é questão de pura experiência direta.

Tomemos muito cuidado neste ponto em particular, pois alguém pode dizer que já conhece seus defeitos, que sabe que tem preguiça, por exemplo, mas será que ele a conhece de fato? Somente podemos dizer que conhecemos algo se a observamos longamente e por todos os lados possíveis. Assim acontece com os nossos egos. Devemos observar as muitas manifestações de preguiça que possuímos. Como ela atua na mente? Como ela atua no coração? Como ela atua no mundo das volições? Como ela atua no corpo físico? Todos os minúsculos detalhes de passividade, não terão o gosto psicológico assemelhado ao da preguiça? Somente pode dizer que conhece algo aquele que vivenciou esse algo. E assim definimos o que é CONHECIMENTO INTERIOR.

Atentemos, pois normalmente os estados interiores são um amalgamado de muitos defeitos. Às vezes fica muito difícil de destrinchá-los. E isso é importante, pois esse defeito grande somente vai sumir se compreendermos todos os detalhes que o compõem e passarmos a trabalhar em separado com cada um deles a toda hora que eles se manifestarem diminutamente, pedindo a sua eliminação à Nossa Divina Mãe.

ASSIM, AVANÇAM MUITO RÁPIDAMENTE AQUELES QUE APROVEITAM SUAS CRISES INTERIORES PARA SE AUTO-DESCOBRIREM. Existem dois aspectos nesta questão que devemos elucidar. O primeiro refere-se à reflexão. Em momentos de crise devemos utilizar a faculdade da reflexão serena, nos moldes mencionados na lição anterior. Ou seja, não podemos cair no batalhar das antíteses. A reflexão é uma faculdade da alma e como tal pressupõe um coração tranqüilo. Deste modo, durante a reflexão vamos adentrando em nosso mundo interior, observando tudo que se passa, ou se passou durante o momento da crise, captando os estados envolvidos, e em caso de falta de entendimento e compreensão imediata, devemos orar a Deus para que nos dê sabedoria.

O segundo aspecto do qual falávamos é a NÃO IDENTIFICAÇÃO com o problema. Vamos ter que detalhar bastante esse ponto, pois ele é muito importante. Normalmente andamos fascinados com tudo e com todos e não nos damos conta de nós mesmos, ou seja, nos esquecemos de nós mesmos. Devemos sempre nos recordar de nós mesmos. Quero dizer com ’recordação de si mesmo’, que devemos ter a atenção sempre voltada para dentro de nós. Recordar-se de si mesmo quer dizer que devemos nos recordar do nosso trabalho interior, de que somos a alma a observar o ego, se utilizando do maravilhoso sentido da auto-observação. Ou seja devemos nos identificar com a alma em seu trabalho sobre si mesmo e não jamais com as coisas da personalidade, do mundo exterior, com os nossos problemas de dinheiro, saúde, família, ou o que seja. Todos os problemas passam, tudo passará, menos o conhecimento interior e a autorrealização íntima. Como disse o Mestre Rabolu em seu maravilhoso livro ‘A Águia Rebelde’, á natureza mesmo, não lhe convém que nós nos liberemos. Por isso ela nos põe brinquedos para que fiquemos fascinados e esqueçamos de nossa autorrealização íntima. O mais natural é que nos coloquemos a nos identificar com as coisas exteriores e nos esquecemos de nós mesmos. Portanto, o esforço no sentido de nos auto-observarmos com o propósito de auto-conhecermos deve ser constante. E deste esforço nascerão todas as gemas da alma que se chamam virtudes. Morre o ódio, nasce o amor. Morre a preguiça, nasce a atividade. Etc. Etc. Etc.

Estudem depois as conferências ’A não identificação com as coisas da vida diária’ e ‘Método para o despertar da consciência‘. Esses dois temas têm muita relação com o tema este da auto-observação. Pois se completam. Esclareço que para poder existir a auto-observação deve haver antes a não identificação, seja com os estados interiores equivocados que se levantam mecanicamente dentro de nós mesmos em reações mecânica a um evento exterior; tampouco não devemos nos identificar, ou melhor, ficarmos fascinados com os próprios eventos exteriores que a mente tende a dar valor positivo ou negativo, quando na verdade tudo passa. Como diria o sábio escritor de Eclesiastes: “tudo é vaidade e vento que passa”. A mente é que tem por hábito dar valor a tudo. Assim, compreenderão agora o real significado da estrofe do Cristo, quando disse “é mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha, que um rico entrar no reino dos céus”. O rico desta estrofe somos todos nós que deixamos a mente dar valor a tudo, e não deixamos a essência ver as coisas como realmente elas são: “caminho do meio”. Nestas horas, se sentirdes tentados a se fascinarem, lembrem: qual é o primeiro mandamento? Quem respondeu amar a Deus sobre todas as coisas, acertou. Portanto, lembrem-se que o trabalho sobre si mesmos é mais importante do que tudo, pois o que ele oferece é mais valioso do que tudo. De fato, quem acha a Sabedoria e a Imortalidade, conquistou de fato o maior tesouro e a vida eterna.

Temos falado sobre a auto-observação, mas ela sem o segundo passo é completamente estéril. Quero me referir à ELIMINAÇÃO DO DEFEITO OBSERVADO. Para semelhante tarefa necessitamos de um poder superior ao da mente. A mente somente poderia dar um novo valor ao observado, reclassificando-o. Ou seja, a mente não tem o poder de eliminar, de reduzir a poeira cósmica tal defeito. O poder a que nos referimos aqui é o Fogo Sagrado, nossa Divina Mãe Kundalini, Serpente Ígnea de nossos mágicos poderes. Ela como poder serpentino tem a capacidade de eliminar qualquer defeito psicológico de nosso mundo interior. Quero esclarecer que o trabalho com a Alquimia, o segundo fator, nascer, faz com que esse poder vá aumentando gradativamente, tornado-a capaz de eliminar os defeitos mais fortes.

Na prática a petição à Mãe Divina é feita a toda a hora em que o defeito previamente observado se levantar dentro de nós mesmos. No exato momento em que nos dermos conta de que ele se levantou ou está lá atuando. Assim, a toda hora que o sentido de auto-observação captar o ‘gosto psicológico’ do defeito conhecido, passamos a orar intimamente dessa maneira: “Mãe minha, elimina de mim esse defeito!”. Essa petição é feita rapidamente, mas com firmeza. É indispensável o uso da concentração e da imaginação nesta hora. Ou seja, devemos mirar em certo o defeito que queremos eliminar e fazer ele sumir de nosso interior, nos identificando com Nossa Divina Mãe. Esse é o trabalho de nossa Divina Mãe ao empunhar sua lança de Eros.

A esse trabalho de peticionar à Mãe Divina para que elimine nosso defeito psicológico a toda hora que ele for observado em nosso interior, é chamado de MORTE EM MARCHA. Isso faz com que o defeito deixe de se manifestar naquele momento. Não quer dizer que o eliminamos de uma vez por todas, mas ele vai perdendo a força. Até que um belo dia ele não é mais visto em nosso mundo interior. Aquele defeito psicológico morreu.

Não é preciso insistir na continuidade de propósitos, pois como poderemos perceber, se começarmos a eliminar um defeito, e logo deixarmos de nos auto-observar, ele vai recobrando as forças. Por isso é necessário força de vontade para que a auto-observação perdure pelo dia todo.

Muitas pessoas querem mudar, mas não sabem como fazê-lo. Esse método é o único meio para lograrmos uma MUDANÇA RADICAL de nós mesmos. As mudanças exteriores não são efetivas, tampouco duradouras.

Por outro lado, um impedimento que se tem mostrado às pessoas para iniciarem um trabalho sério sobre si mesmas, é o fato de algumas delas simplesmente se presumirem sem defeitos psicológicos. Ou vilmente sentem-se bem com seus defeitos e até os defendem publicamente. Estas pessoas na verdade nunca pararam para se auto-observarem de verdade, por isso julgam-se os honestos, honrados, etc. Querem-se demasiado a si mesmas. Bastaria que uma destas pessoas desenvolvesse o sentido de auto-observação, conforme temos ensinado aqui, e reflexionasse serenamente sobre as molas interiores de suas ações para ficarem atônitas. Não restaria um justo. A maioria das nossas ações partem da vaidade, da inveja, do orgulho ferido, etc., etc., etc. Não seria estranho o bom dono de casa descobrir dentro de si mesmo eus ladrões e estupradores; tampouco uma pacata beata, eus de prostituição. Deste modo diremos com toda a razão que “nas cadências da oração também se escondem os delitos”.

 

RECAPITULANDO:

 

– dividir-nos em OBSERVADOR e OBSERVADO;

– a Essência observa os egos;

– o ego ‘SENTE, PENSA e AGE’ por nós, ou seja a auto-observação deve focar os três centros de atuação egoica: o intelectual, o emocional e o motor-instintivo-sexual;

– ATENÇÃO FOCADA PARA DENTRO;

– temos que desenvolver o sentido da auto-observação através do esforço;

– o sentido de auto-observação é um sentido da alma, também chamado de sexto sentido.;

– o sentido de auto-observação capta o ego em plena atuação;

– primeiro OBSERVAMOS, depois JULGAMOS, e sem seguida passamos a peticionar pela ELIMINAÇÃO do defeito a toda hora que ele se levantar ou estiver atuando dentro de nós mesmos;

– MORTE EM MARCHA;

– a petição é direcionada à nossa Divina Mãe Kundalini particular, deste modo: “Mãe minha, elimine de mim este defeito!”.

3 opiniões sobre “16 – Auto-Observação de si mesmo

Julia

Excelente! Só nos resta PRATICAR orando mt aos Nossos Pais Internos para que dêm FORÇAS para nos arrepender de carregar em noos interior tanta monstrosidade causa dos nossos sofrimentos e daqueles que nos rodeiam. Amém.

Resposta
Danieli

Excelente texto e forma de explicar a eliminação egoica.
Estudo gnose desde de 2009 e este conhecimento fez toda diferença na minha vida.

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