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25 – O Fanatismo e a Mitomania

1 de março de 2016 - Fase A

Tema nº. 25 – O Fanatismo e a Mitomania.

25

Essa conferência é para nos alertar a respeito de dois defeitos psicológicos que nos podem estancar irremediavelmente no desenvolvimento espiritual, culminando por nos tirar da senda, caso não nos corrijamos.

O fanatismo e a mitomania, ou mania de mentir, devem ser observados judiciosamente, ou seja, estes defeitos psicológicos devem ser conhecidos dentro de nós mesmos tais quais eles são, com o claro e único objetivo de eliminarmo-los de nossas psiques. Para tal, devemos, sempre que percebermos estes defeitos atuando, rogar à Nossa Divina Mãe Kundalini para que os elimine de dentro de nós. Porém, não se trata de uma mera petição despretensiosa; devemos fazê-la imperativamente e, continuando com uma postura ativa, concentrarmo-nos nos defeitos observados, tratando de fazê-los sumir de nossos mundos interiores até não os perceber mais. Estudem em detalhes a técnica da morte do eu psicológico, tratando de colocar tudo em prática e vereis os resultados.

O passivo nada consegue no trabalho esotérico.

Nas linhas posteriores tentaremos descrever esses dois traços psicológicos indesejáveis, mas não nos esqueçamos de que esses apontamentos servem somente para nos chamar a atenção para as manifestações exteriores destes dois defeitos, o que, de maneira nenhuma, substitui a conhecida auto-observação aos três principais centros da máquina humana, cabeça, coração e sexo, o que subentende a captura real, com o sentido da auto-observação, de seus ‘sabores psicológicos’, pois somente assim conheceremos a mitomania e o fanatismo tais quais eles são.

Apenas acreditar sem levar as coisas à comprovação acaba por nos tornar fanáticos.

O fanático é aquele que por ouvir falar que um defeito é ‘assim ou assado’, por exemplo, se enche de regras, sem compreendê-lo a fundo, pois se se observasse, passaria a compreendê-lo tal qual ele é e tornar-se-ia capaz de eliminar o defeito de seu mundo interior.

Ou seja, fanático é aquele que muda exteriormente e não muda internamente.

Lembremos que a principal característica destes trabalhos Gnósticos é a de nos fazer mudar internamente, mudar a própria alma, e não acumular mais maneiras de agir e manias às já existentes. Esse tipo de postura equivocada somente serve para enterrar o defeito para algum lugar ainda mais profundo do subconsciente.

O intuito da Gnose é nos fazer Livres e Puros. E isso somente é possível sem as amarras do ‘mim mesmo’.

O fanático tende a olhar mais para os outros do que para si mesmo.

Há duas maneiras de se viver a vida. A primeira delas é a maneira como em geral as pessoas vivem. As pessoas em geral se indentificam com as coisas do mundo. São escravas dos sentidos e da mente. Para elas a vida é um processo de crescente exteriorização.

A esta primeira maneira de viver a vida chamemos de Sabor Vida.

A outra maneira de se ver a vida é vivermos com a atenção voltada para o que está acontecendo em nosso interior, trabalhando internamente com o objetivo de nos auto-descobrirmos e eliminarmos nossos defeitos psicológicos. Os gnósticos e sábios em geral se identificam com suas partes internas, adoram Seu Pai e Sua Mãe internos. Para os sábios a vida um crescente processo de interiorização.

A este segundo modo de viver a vida chamemos de Sabor Trabalho.

Aos neófitos é bastante comum sair de um modo e adentrar em outro constantemente. Ou seja, é comum vivenciar a vida durante um período em Sabor Trabalho e passar, devido a alguma identificação ao Sabor Vida, para logo em seguida tornar a Recordar-se de si mesmos.

O centro de gravidade daqueles que se exteriorizam é a personalidade.

O centro de gravidade daqueles se interiorizam é a Essência, a Consciência.

Para não perdermos o centro de Gravidade em Nossa Essência é necessário que NOS RECORDEMOS DE NÓS MESMOS de instante em instante, de momento em momento.

Lembremos que nós não somos o eu, mas sim a alma pura com ganas de se unir com Deus.

Recordação de nós mesmos quer dizer: viver com o coração tranqüilo e a mente calada, empunhando a vontade conscientemente, com a atenção voltada para dentro de nós mesmos a observar os três principais centros da máquina humana e concentrados no que estamos fazendo, completamente cônscios de onde estamos. Parece tudo muito difícil para ser feito ao mesmo tempo… Parece até impossível… Mas, aos poucos, conforme se vão estabelecendo e se desenvolvendo certas capacidades em nós mesmos, tal qual o sentido da auto-observação, por exemplo, entre outros, o ‘sabor trabalho’ vai sendo compreendido. É como um holograma… Ou quando se começa a aprender a tocar piano; no começo a coisa não flui, parece simplesmente impossível, mas aos poucos…

 Também é característica dos fanáticos o fato de quererem se mostrar tal qual eles não são.

Ou seja, são aqueles que se fazem parecer puros, mas não o são de verdade.

             Essas pessoas criam um sentimento novo e o jogam sobre o existente, muitas vezes para se protegerem ou acreditando que o sentimento criado seria o sentimento ideal. Porém, se o fazem sem compreenderem a si mesmos, sem tentar se conhecerem tal qual são, fica impossível eliminar de fato o defeito que gerou o sentimento substituído. Deste modo não é possível que a alma atinja um nível de ser superior e se torne livre de tais engarrafamentos. Isso somente a fará encobrir o defeito psicológico criador do sentimento equivocado, o qual, por sua vez, não deixa de existir e mais cedo ou mais tarde vem à tona com muito mais força.

Importantíssimo diferenciar, entretanto, e esclarecer definitivamente que a prática da Transformação das Impressões e a combinação de estados com eventos são muito úteis, porém, de nada servem sem a morte do eu e a respectiva compreensão de tudo que envolve a questão do defeito intruso. Lembremos, não obstante, que é a alma, a conhecedora do real, quem deve posicionar nosso estado interior corretamente e não a mente com seus padrões pré-definidos. Lembremos, ainda, que é a Alma, a Essência, Nossa Consciência Livre, quem observa e compreende os defeitos e não a mente. A mente deve ser apenas um instrumento aí. Quando a mente deixa de ser um instrumento da alma e passa a condição de coordenadora, deixamos de ter a possibilidade de vivenciar a verdade, pois a mente só é capaz de dar valores positivos ou negativos as coisas… de rotular tudo… a mente tem valores pré-concebidos para tudo… Nada mais. A alma, por sua vez, é capaz de compreender a realidade das coisas em pleno movimento, sem ser induzida em nada e sabe fazer o que é correto, pois ela está ligada com Deus através da intuição, mediante o silêncio interior. (“coraçonada”)

Isso de somente falar em Gnose, das novas teorias que aprendeu, antes de as ter comprovado… é fanatismo e fascinação intelectiva!

Isso de que minha escola é melhor que as outras… …o orgulho aliado às crenças torna o fanático bem característico.

Diferenciemos, pois, Crenças de Fé Autêntica. Acreditar qualquer um o pode fazer. Podemos acredita nisso ou naquilo. Podemos até ser fiéis às nossas crenças… ainda que estas sejam absurdas. Mas, ter fé é diferente. FÉ Autêntica pressupõe que a pessoa sabe que aquilo é realmente verdade, pois a comprovou. Assim, somente poderá mover uma montanha, aquele que o sabe fazer!

Falemos agora um pouco sobre a MITOMANIA.

A MITOMANIA, ou EU MENTIROSO, é o nome dado a certos grupos de defeitos característicos desta categoria ligadas à vaidade e ao orgulho, que se utilizam da mentira para se ‘fazerem sentir’. São aqueles que se crêem superiores, se imaginam internamente super-heróis, etc. Muitos deles se imaginam e até chegam a se apresentarem como Mestres cheios de poderes, contam acontecimentos fantásticos, etc… Quando na verdade não o são.

O mitômano, em geral, após alguma experiência mística, ainda que incipiente, crê-se um iluminado.

Ninguém, sequer, precisa saber que estamos trabalhando sobre nós mesmos. As coisas da vida devem transcorrer de maneira sempre natural.

Os mitômanos são filhos do ego da vontade de aparecer, de serem reconhecidos, etc… quando esses valores se unem à fantasia, aparecem os elementos perigosos acima citados. Quando bem sabemos que o ego do auto-enaltecimento é somente o contrário do ego do se sentir inferior. Na Gnose não existe alta ou baixa estima, tudo é amor e verdade o tempo integral. Para isso basta nos recordarmos de nós mesmos. Deste modo, quanto mais próximos estivermos de nossa alma, mais próximos estaremos da felicidade, com a condição de eliminarmos radicalmente o ego, o mim mesmo de nosso mundo interior. Pois somente o ego se sente orgulhoso ou desprezado. A alma somente ama. Deus simplesmente É.

Um detalhe de tal defeito é a vontade de contar para todo mundo, sem nenhuma necessidade, por puro orgulho, o resultados das nossas práticas.

Jesus falava que era Filho de Deus porque realmente era. Não se vê aí nem uma ponta de orgulho ou falta de objetividade ou fantasia em suas palavras. Ele mostrou com fatos sua Maestria, para que até os mais cegos pudessem ver.

Agora, para nós que não somos nada, ou que estamos apenas iniciando um trabalho sobre nós mesmos, vamos contar nossas experiências incompletas para quê? O fato é que, enquanto não tenhamos Despertado a Consciência o bastante, todas as nossas experiências nos mundos internos serão mais ou menos fantasiosas.

Que fique bem claro que o trabalho que realizamos sobre nós mesmos, não é para nós, é sim para Deus. Ele, o Pai, quem nascerá em nós. Nós, nosso ego, apenas temos que morrer em nós mesmos, para que nossa Consciência pura de quaisquer desvios possa se Religar com Ele. Então, devemos nos orgulhar de que!? Nós não somos nada. Deus é tudo! Se nós não morrermos Ele não pode nascer. ‘Se o germe não morre, a planta não nasce’.

Existem bilhões e bilhões de estrelas no firmamento; cada uma delas é uma criação de algum Cosmocrator, e nós apenas nos orgulhando de iniciarmos uma obrinha que ainda nem merece atenção dos Deuses! Nós somos apenas servos de Deus… “Amar a Deus ante todas as coisas“, eis o primeiro mandamento. Aquele que ama dá a vida pelo ser amado…

A principal característica do mitômano é, não obstante, a mentira, a qual seria impossível sem a fantasia. Deste modo, é urgente urgentíssimo que eliminemos de nossa psique toda forma de fantasia.

Distingamos, pois, fantasia de imaginação. A imaginação pressupõe domínio da arte de criar. Ela é salutar. Tudo que se desenvolveu na Terra, em termos de inventos e artes, provém da imaginação criadora. Imaginar é ver. É a Mãe Divina quem mostra na Luz Astral as coisas maravilhosas, que depois os gênios as desenvolvem. Fantasia é o oposto de tudo isso. Ela pressupõe dominação dela sobre nós. Ela é irreflexão. A fantasia não vê a Luz do Amor. A fantasia é danosa, hipnótica, a maioria das vezes subconsciente e provém do órgão kundartiguador, ou seja, a cauda de Satã, a mesma origem do ego. Assim, o ego atiça Lúcifer, o Tentador, ou seja, o desejo, o qual, por sua vez, dá a força necessária para que seja projetado em nossa mente imagens infradimensionais de todas as espécies, originadas no baixo ventre. O ego, não obstante, também pode criar, mas nunca criará coisas profundamente salutares, pois só pensa em si.

O iniciado cria com amor e sabedoria, o que não causa reações negativas para nós mesmos, tampouco para os demais. A criação perfeita parte de Deus, que é o conhecedor do real. Deus Pai é sabedoria. Deus Mãe é amor. ELE penetra todas as dimensões superiores e não admite erros, pois tudo sabe. Assim, quem faz a vontade do pai, anda bem. Aquele que somente faz a sua vontade, nem sequer sabe que nada sabe.

A prática da meditação diária pode nos ensinar o que é a autêntica liberdade de viver longe do ego, ainda que por apenas alguns instantes. Isso faz com que aprendamos por experiência própria o que é o Ser e o que são os egos. A essa vivência direta do real damos o nome de Despertar da Consciência.

Porém, não se presuma de transcendido aquele que por grandes esforços atingiu uma vez o Êxtase da Meditação.

Esse sujeito despertou apenas os três por cento de consciência livre, que em média cada um de nós mais ou menos possui.

O processo definitivo do Despertar da Consciência é, no entanto, um processo gradativo, muito ligado à morte do mim mesmo. Cada porcentagenzinha de Essência que é desengarrafada, mediante a eliminação deste ou daquele defeito, deve ser despertada, posteriormente, com a meditação.

Somente assim, após uma grande quantidade de consciência desengarrafada e em seguida despertada atingimos a Consciência Continua.

Por tudo isso devemos trabalhar sempre e muito com a morte do mim mesmo.

Atentemo-nos para uma questão fundamental: São através dos pequenos detalhes que os egos se alimentam – devemos ter muita atenção nisto! O trabalho com os detalhes são cruciais para que os egos morram.

Todos os defeitos psicológicos são compostos por um sem fim de pequenos detalhes, muitos dos quais nem sequer damos importância; nem sequer consideremos defeitos. Mas, sim, eles são o alimento do ego e enquanto eles não morram o ego não morrerá.

Com os defeitos mencionados neste capítulo não é diferente. Eles são compostos por inúmeros pequenos detalhes. Assim, a auto-observação a esses pequenos detalhes, aliada à compreensão é fundamental para nos tornarmos livres do ego do fanatismo e da mitomania.

A morte em marcha, que fique bem entendida deve ser praticada de instante em instante de momento em momento. Ou seja, um mesmo detalhe assume diversas facetas e deve ser levado à morte sempre que em nosso interior o observarmos.

Quando falamos dos defeitos psicológicos do fanatismos e da mitomania é indispensável que mencionemos: o livre arbítrio é uma Lei Sagrada; de maneira que devemos ter em conta essa Lei e respeitar o livre-arbítrio dos outros, e seguir nosso rumo corajosamente.

Os Gnósticos também não se metem em discussões teóricas, muito menos as acaloradas. As teorias são somente teorias e o que o gnóstico busca é a verdade e a vida. Muito poucas pessoas sabem ouvir, e muitas não discutem para aprender o ponto dos outros, mas apenas para exercitarem o eu da disputa. Devemos prestar muita atenção nesse ‘eu’ da disputa, ele tem infinitas ramificações espalhadas por diversas vertentes de nosso dia-a-dia.

Para finalizar o tema segue um alerta aos nossos neófitos. O gnóstico não é estranho, esquisito, e nem se deve sentir superior às demais pessoas. O ego nada sabe. Deste modo, de que nos devemos sentir superiores? Quem se sente superior é o ego. Recordemos de nós mesmos, pois é compreendendo a nós mesmos que poderemos compreender e amar aos demais e, assim, respeitá-los. O exercício da reflexão serena é fundamental para que a mente não se deixe escravizar pelo ego. O ego pensa que tudo sabe. A alma, por sua vez, apalpa humildemente a verdade em pleno movimento. A reflexão serena, baseada no coração tranqüilo, permite que a luz, ou seja, o amor comece a penetrar na mente. Porém, nunca nos esqueçamos: a verdade está além da mente. Assim, toda boa reflexão serena, termina com uma meditação profunda, mesclada com sono, ocasião em que, advindo o êxtase, a alma vivenciará a verdade de tal assunto tal qual ele realmente é. Ou seja, nós, o ego e a mente, nada sabemos. Tudo o que teorizamos é mais ou menos equivocado; mais ou menos descontextualizado. Deus é quem tudo sabe. Ele está muito mais além da mente. Ele é a verdade dentro de nós, pratiquemos muita meditação, diariamente, com o intuito de vivenciarmos a verdade. A meditação é a doutrina da mente. Com a meditação diária aprenderemos a utilizar esse instrumento fantástico, esse poder divino, que é a mente. Por hora, porém, devido ao mau estado interior em que nos encontramos, é o ego que se utiliza da mente. Em outras palavras, mal utilizamos nossa mente e prejudicamos com isso a nós e aos demais.

 

Recapitulando:

 

– o fanatismo e a mitomania são dois defeitos psicológicos que podem estancar o neófito;

– esses dois defeitos são compostos por inúmeros detalhes, insipientes, pequeníssimos;

– esses pequenos detalhes devem ser observados, compreendidos e eliminados da nossa psique, através dos trabalhos da auto-observação e da morte em marcha;

Uma opinião sobre “25 – O Fanatismo e a Mitomania

Soraya

Chegar a esse estudo foi muito esclarecedor e me reorientou, no sentido de aplicar a mim as minhas impressões e deixar em paz, em seus próprios aprendizados, cada um daqueles em que percebi uma tendência desvirtuada, pois que a minha também acaba sendo. Gracias!

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