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41 – A Não Identificação Com as Coisas da Vida Diária

3 de fevereiro de 2016 - Fase A

Tema nº. 41  –   A Não Identificação Com as Coisas da Vida Diária.

 

No tema “Método para o despertar da consciência” intentamos descrever a postura interior adequada, que possibilita o avanço espiritual. Neste tema atual nos empenharemos em advertir sobre uma das causas de tropeço, a qual atrapalha, por sua vez, a correta postura interior. Essa é a Identificação com as coisas da vida diária.

A identificação com as coisas diárias nos torna pessoas mecânicas, ou seja, homúnculos que fazem uma coisa, pensando (sonhando) em outra. Seres que aceitam as sugestões dos egos, sem nem ao menos saber de onde elas vem, por que vem, como vem… Isso faz com que nossa consciência adormeça.

A ATENÇÃO DEVE ESTAR SEMPRE VOLTADA PARA DENTRO.

Identificação é quando nos esquecemos de nós mesmos, de que somos o Ser, a Consciência… Isso acontece quando nos esquecemos de nos observar. A consciência é ‘aquela que Observa’.

Nos esquecemos de nós mesmos quando planejamos apaixonadamente ou, simplesmente, quando planejamos coisas fora de hora e lugar fantasiosamente; quando lembramos de fatos ocorridos fora de hora e nos identificamos com eles; quando deixamos sentimentos negativos colocarem palavras em nossa língua interior; quando nos fascinamos com alguma coisa ou pessoa; quando vemos as pessoas como personalidades e não como seres de Deus; etc.

Como dissemos na mencionada lição anterior “Método para o despertar da consciência”, o despertar da consciência se dá quando conseguimos calar a mente e tranquilizar o coração, ou seja, quando conseguimos viver um eterno agora, cheios do gozo da existência Divina dentro de nós mesmos.

Isso se dá quando transferimos nosso centro de gravidade da personalidade para a Essência.

Dissemos, ainda, que a mente é útil apenas no lugar e na medida certa, ou seja, quando ela se torna passiva, ficando a CONSCIÊNCIA, A ESSÊNCIA ATIVA. A sede da essência é o coração tranqüilo.

NECESSITAMOS APRENDER A VER AS COISAS COM O CORAÇÃO. Ou seja, levarmos a Consciência à frente ao ver as coisas do mundo, sem deixar a mente dar valor pra tudo ou dizer que já conhece isto ou aquilo…

Há duas maneiras, portanto, de se portar interiormente. Podemos chamar essas duas maneiras de se viver de: sabor vida cotidiana e SABOR TRABALHO.

O ‘sabor vida cotidiana’, nada mais é do que viver como sempre temos vivido, identificados com tudo e com todos.

O ‘SABOR TRABALHO’ já é bem diferente. Ele é sentido dentro de nós mesmos quando estamos nos auto-observando e não nos identificando com as coisas da vida diária. Quando estamos trabalhando interiormente, nos é possível mudar nosso próprio Nível de Ser. Isto é, somente com a MORTE DO EU há evolução interior.

Com o trabalho de auto-observação nos daremos conta de como acontece todo o processo de identificação, seja conosco mesmos, seja com outras pessoas. Logo aprenderão a distinguir dentro de vós mesmos o ‘sabor vida cotidiana’ e o ‘sabor trabalho’.

Somente a partir deste aprendizado direto, poderemos dar mais um passo decisivo e, logo, nos mantermos em condições para trabalharmos internamente integralmente, ou seja, nos mantermos no sabor trabalho por todo o dia e noite.

Interessante salientarmos que sabor trabalho parece nos recordar algo pesado, até mesmo chato. Mas queiramos mencionar mais uma vez que a sede da Consciência é o CORAÇÃO TRANQUILO. Isso nos recorda que se trata de um estado interior perene de bem-aventurança. Pois, ainda que tenhamos que nos esforçar para manter a atenção voltada para dentro, quanto ele se casa com a paz do Coração Tranquilo, surge como por milagre um estado atemporal maravilhoso dentro de nós mesmos.

Por outro lado, quando há a identificação com as coisas da vida diária é impossível de se trabalhar internamente.

Cada vez que nos identificamos perdemos oportunidades maravilhosas de conhecermo-nos a fundo, bem como de, principalmente, matar o eu psicológico. A identificação com as coisas da vida diária nos rouba energias cruciais, as quais deveriam ser o excedente com que trabalharíamos na Alquimia.

Sobretudo a auto-observação é proveitosa nos momentos mais difíceis da vida. É justamente nestes instantes de transtornos e tensões que devemos aproveitar ainda mais para nos conhecermos a fundo, pois é aí que se levantam os nossos mais perversos eus. Isso é possível quando não nos identificarmos com nossos próprios sofrimentos, nem com nada. A não identificação das coisas nos leva ao presente…

VIVER O AQUI E AGORA. Essa é a tradução correta para o termo ‘carpe diem’.

Devemos nos esforçar para sempre estar no eterno aqui e agora. Quando casamos o esforço para manter a atenção a nós mesmo, com o silêncio da auto-observação baseada no Coração Tranquilo, adentramos ao eterno aqui e agora…

Isso deve ser uma constante em nossas vidas: A GNOSE É A CIÊNCIA DA MOMENTANEIDADE.

O ego é a própria desorganização. É por causa do ego e da mente que nos identificamos. Quanto mais eus mortos, menos possibilidade de identificação. Quanto mais MEDITAÇÃO praticarmos, menos possibilidade de identificação. Aos bons resultados nestas duas práticas chamamos o DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA.

Agora, nesta lição, passaremos uma pequena técnica, que nos possibilitará a melhoria de nossa concentração. Lembremos que concentração é ter atenção plena e natural em algo. Aqui não há dispersão de maneira alguma. Há, pelo contrário, disciplina e silêncio. A chave, pois, para melhorarmos nossa concentração, o que, inclusive, nos proporcionará a melhoria de nosso desempenho nas demais práticas é levarmos essa disciplina, essa prática da concentração para toda nossa vida. Assim, são duas práticas que devemos fazer 24 horas por dia: a morte do eu e a concentração naquilo que estivermos fazendo.

De maneira que elas deixem de ser práticas diárias e passem a fazer parte da nossa maneira diária de viver. Deste modo estaremos fazendo dois trabalhos: morrendo em nós mesmos e despertando a consciência.

Assim, façamos, sempre, uma coisa de cada vez, dedicando a cada coisa o seu próprio tempo, como diz o Mestre Samael. Sugerimos, aqui, que, diariamente pela manhã elaboremos uma agenda, na qual anotaremos as principais atividades que devemos realizar naquele dia.

Façamos uma tarefa de cada vez, sem nos preocuparmos com as que vem depois e indo até o fim daquilo que nos tenhamos proposto a fazer. Todas as atividades devem ter início, meio e fim. Desta maneira nos vamos educando para as práticas noturnas.

Porém, nem sempre é possível que não coloquemos tempo para a realização de cada uma das tarefas. Mesmo a estas não devemos nos preocupar com seu final, apenas nos empenhemos para que elas sejam feitas de maneira interiormente perfeita.

“É muito importante o que realizamos na vida, mas, ainda mais importante é a maneira como as realizamos.”

O objetivo da agenda é o de nos aproximarmos do despertar da consciência e não o de nos tornar obcecados e desrespeitadores. Assim, o bom senso e o auto-conhecimento (em especial para que saibamos onde começa o abuso e o desrespeito para com os outros que nos cercam) são uma prerrogativa da Consciência, que devem nos auxiliar em todos os momentos de nossas vidas.

A prática da agenda é concebida, ainda, para nos ajudar a disciplinar todas as coisas. Isso dificultará que nos deixemos levar pelas coisas da personalidade. A indisciplina é a própria atuação do ego. A personalidade é o veículo de expressão dos eus. Lúcifer, o treinados psicológico, nos tentará a que façamos os desejos do ego. Mas, a consciência deve ganhar todas as batalhas contra eles. “… e disse Jesus: – Lúcifer, escrito está, ao teu Deus não tentarás, apenas obedecerás.” “Senhor, se for possível, afasta de mim este cálice, mas que se faça a Vossa vontade e não a minha.” Por trás de cada tentação, de cada desejo, tem um ego, o qual não nos devemos furtar em escancará-lo. E em seguida, é óbvio, não nos olvidemos da Morte em Marcha…

A disciplina é indispensável para que comecemos a ter êxito em todas as práticas.

Paz a todos!

 

 

RECAPITULANDO:

 

– a atenção deve sempre estar focada para dentro de nós mesmos;

– quando nos identificamos com as coisas da vida diária passamos a viver o gosto psicológico chamado de ‘sabor vida cotidiana’;

– quando transferimos nosso centro de gravidade para a Consciência, para a Essência, passamos a saborear o estado interior chamado de ‘sabor trabalho’;

– o esforço em nos auto-observar aliado à tranquilidade da Observação da Consciência traz automaticamente a bem-aventurança do eterno aqui e agora…

– temos o dever de vencer todas as batalhas contra nosso tentador psicológico, Lúcifer;

– por trás de toda tentação há um ego; urge identificá-lo, levá-lo ao banco dos réus e executá-lo mediante a lança de Eros empunhada por nossa adorada Divina Mãe Kundalini;

3 opiniões sobre “41 – A Não Identificação Com as Coisas da Vida Diária

Antonio Carlos Arantes

Excelente! Estou praticando aos poucos, mas com persistência.

Resposta
    Julia

    Realmente o TEG não é fácil…mas é o único que vale a pena nesta…

    Resposta
    Julia

    Olá Antonio! Que seus Pais internos lhe dêm Forças pois realmente não é fácil…mas é o que realmente vale a pena nesta vida…o resto é pura ilusão para nos facinar e nos fazer esquecer do trabalgo sobre nós mesmos…Muita Força…

    Resposta

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